| sabor e caderno gosto de viajar por palavras do que de trem (manoel bem diz...) |
Quinta-feira, Agosto 28, 2008horizonte em redondo, eu lá e além, pequena... sobre suas pedrasmaior, sempre maior e assim se faz, a montanha! piedade, serra, tende piedade de nós! o olhar segue acima: verde e azul, distante e aqui... para além da ferida aberta, o barro vermelho, evidente, é em nós o sangue, tu imponente, mesmo com as ameaças minério... mineração... mineradoras! pensam-se ladrões de tuas verdades, eles dormem! conto-te desde já: és pedra e és minério e és superior, és água em mim mesmo agora, quando habitas meu pensamento. rezas, eremitas, palavras, buscas, o vento passou! tu ficarás... silêncio! logo vem o véu em forma de bruma suave, branca, fria e leve ... alta, imponente, misteriosa, rica! mesmo assim, mansa e serena, tranqüila e constante!
C
após o percurso do ônibus por entre pessoas, carros e outros, descemos... o caminhar é constante... a cidade também é formada pelas tantas partes cinzas, pretas e incompreensíveis, mesmo assim há inspiração... a noite passada foi curta, os pensamentos insistentes e intensos pediam calor, a pele, um pouco mais estabilizada na temperatura, pedia cobertor... seguimos por entre vestígios de obras, a manhã é azul, amarela e levemente fria... o corpo mais equilibrado... mesmo assim as aflições, buscas, palavras e histórias de tantos idos... subimos a passarela de partes antigas e outras provocadas e improvisadas pelas eleições, caminhamos, conversamos... o movimento é frenético, vai e vem... ali adiante o homem está sentado, ele veste uma camisa branca, de botões e mangas compridas... nas costas carrega uma pequena mochila... as pernas dele estão envoltas por uma calça preta, que na altura do joelho são reforçadas por espécies de joelheiras, feitas de um pano meio elástico... ainda estão por ali alguns objetos, ao alcance e proteção dele, sozinho... no colo está uma caixa, como essas que guardam os sapatos nas lojas, dentro dela as poucas moedas reluzem ao brilho cada vez mais ensolarado do dia... passamos por ele, não tenho moedas nos bolsos, procuro dentro da bolsa, escolho e volto, são duas, cada uma, dizem, que vale vinte e cinco centavos, coloco na caixa... ele olha para cima, pra mim, e como quem olha o sol agradece com um largo sorriso, por entre um pequeno ferimento no lábio, diz: Deus te abençoe! caminho mais alguns metros no silêncio do quanto ainda não aprendi e logo voltamos à nossa compassada busca...
C
Quarta-feira, Julho 30, 2008![]()
C
Terça-feira, Julho 29, 2008PoemaNey Matogrosso canta, mas a composição é do Cazuza e do Frejat Eu hoje tive um pesadelo e levantei atento, a tempo Eu acordei com medo e procurei no escuro Alguém com seu carinho e lembrei de um tempo Porque o passado me traz uma lembrança Do tempo que eu era criança E o medo era motivo de choro Desculpa pra um abraço ou um consolo Hoje eu acordei com medo mas não chorei Nem reclamei abrigo Do escuro eu via um infinito sem presente Passado ou futuro Senti um abraço forte, já não era medo Era uma coisa sua que ficou em mim, que não tem fim De repente a gente vê que perdeu Ou está perdendo alguma coisa Morna e ingênua Que vai ficando no caminho Que é escuro e frio mas também bonito Porque é iluminado Pela beleza do que aconteceu Há minutos atrás
C
Quarta-feira, Julho 23, 2008...nesse dia de tantas palavras, decisões, apertos, vontades e mais... me chega mário quintana... a quem interessar possa (como a mim):felicidade realista A princípio bastaria ter saúde, dinheiro e amor, o que já é um pacote louvável, mas nossos desejos são ainda mais complexos. Não basta que a gente esteja sem febre: queremos, além de saúde, ser magérrimos, sarados, irresistíveis. Dinheiro? Não basta termos para pagar o aluguel, a comida e o cinema: queremos a piscina olímpica e uma temporada num spa cinco estrelas. E quanto ao amor? Ah, o amor... não basta termos alguém com quem podemos conversar, dividir uma pizza e fazer sexo de vez em quando. Isso é pensar pequeno: queremos AMOR, todinho maiúsculo. Queremos estar visceralmente apaixonados, queremos ser surpreendidos por declarações e presentes inesperados, queremos jantar a luz de velas de segunda a domingo, queremos sexo selvagem e diário, queremos ser felizes assim e não de outro jeito. É o que dá ver tanta televisão... Simplesmente esquecemos de tentar ser felizes de uma forma mais realista. Ter um parceiro constante pode ou não, ser sinônimo de felicidade. Você pode ser feliz solteiro, feliz com uns romances ocasionais, feliz com um parceiro, feliz sem nenhum. Não existe amor minúsculo, principalmente quando se trata de amor-próprio. Dinheiro é uma benção. Quem tem, precisa aproveitá-lo, gastá-lo, usufruí-lo. Não perder tempo juntando, juntando, juntando. Apenas o suficiente para se sentir seguro, mas não aprisionado. E se a gente tem pouco, é com este pouco que vai tentar segurar a onda, buscando coisas que saiam de graça, como um pouco de humor, um pouco de fé e um pouco de criatividade. Ser feliz de uma forma realista é fazer o possível e aceitar o improvável. Fazer exercícios sem almejar passarelas, trabalhar sem almejar o estrelato, amar sem almejar o eterno. Olhe para o relógio: hora de acordar! É importante pensar-se ao extremo, buscar lá dentro o que nos mobiliza, instiga e conduz, mas sem exigir-se desumanamente. A vida não é um jogo onde só quem testa seus limites é que leva o prêmio. Não sejamos vítimas ingênuas desta tal competitividade. Se a meta está alta demais, reduza-a. Se você não está de acordo com as regras, demita-se. Invente seu próprio jogo. Faça o que for necessário para ser feliz. Mas não se esqueça que a felicidade é um sentimento simples, você pode encontrá-la e deixá-la ir embora por não perceber sua simplicidade. Ela transmite paz e não sentimentos fortes, que nos atormenta e provoca inquietude no nosso coração. Isso pode ser alegria, paixão, entusiasmo, mas não felicidade.
C
Sexta-feira, Junho 06, 20088Levei o Rosa na beira dos pássaros que fica no meio da Ilha Lingüística. Rosa gostava muito de frases em que entrassem pássaros. E fez uma na hora: A tarde está verde no olho das garças. E completou com Job: Sabedoria se tira das coisas que não existem. A tarde verde no olho das garças não existia mas era fonte do ser. Era poesia. Era o néctar do ser. Rosa gostava muito do corpo fônico das palavras. Veja a palavra bunda, Manoel Ela tem um bonito corpo fônico além do propriamente. Apresentei-lhe a palavra gravanha. Por instinto lngüístico achou que gravanha seria um lugar entrançado de espinhos e bem emprenhado de filhotes de gravatá por baixo. E era. O que resta de grandeza para nós são os desconheceres - completou. Para enxergar as coisas sem feitio é preciso não saber nada. É preciso entrar em estado de árvore. É preciso entrar em estado de palavra. Só quem está em estado de palavra pode enxergar as coisas sem feitio. (Manoel - Retrato do Artista Quando Coisa)
C
dentro de minh'alma essa mania enfeitiçada de cantar canções...
C
Terça-feira, Abril 22, 2008
uma outra versão, para os que ainda não os conhece!
C
Quarta-feira, Abril 16, 2008"(...) BambeiaCambaleia É dura na queda Custa a cair em si Largou família Bebeu veneno E vai morrer de rir Vagueia Devaneia Já apanhou à beça Mas para quem sabe olhar A flor também é Ferida aberta E não se vê chorar O sol ensolarará a estrada dela A lua alumiará o mar A vida é bela O sol, a estrada amarela E as ondas, as ondas, as ondas" (um pedaço do Chico Buarque)
C
Segunda-feira, Abril 14, 2008Cidade Grande: Dias sem pássaros. Noites sem estrelas.(Mário Quintana)
C
Terça-feira, Abril 08, 2008...logo era manhã de sol brilhoso e intenso... as roupas ainda desajeitadas anunciavam o que era porvir: afeto! beijo suave ao amanhecer, sorrisos atenciosos a noite, saudade com calafrio na barriga na madrugada! naqueles dias, eram poucos os que suspeitavam e eram alguns os que percebiam a rapidez do fazer aproximar, presente! ele sempre esteve aqui a me cutucar e perguntar porque não lembro e eu sempre estou aqui a responder... logo passará a madrugada e espero o dia! sempre é dia!
C
Segunda-feira, Abril 07, 2008"Ele visitava semanalmente o túmulo do pai e levava flores novas. Ficava triste vendo as flores murchas e secas da semana anterior, que ninguém regara. Aí teve a idéia de substituir as flores por um catavento. Toda vez que o vento batia o catavento ressuscitava..."Rubem Alves
C
Sábado, Abril 05, 2008... é um pequeno aparelho de ferro, há algumas décadas, talvez centenas de anos, é utilizado. não posso dizer agora se é interessante ou bonito... isso não interessa... é um instrumento médico e isso importa. a atividade que pode ser desenvolvida com ele se adaptou com o passar dos tantos anos, outrora pode ter sido utilizado para práticas, digamos assim, atraentes à poucos. ainda hoje se mantém, todavia sob uma nova perspectiva e, devido às grandes adaptações, atende a necessidades realmente interessantes... a forma de manusear ainda me é estranha, afinal foram poucos contatos e quase nem pude observar... ela sim, sente um certo prazer em mostrar a forma como tem evoluído no trato com o aparelho - chamo assim por não saber o nome ao certo... ela ainda conserva aquela postura como se tivesse envelhecido na fala antes da idade... eu não perguntei isso, mas ela quis mostrar e com a voz mansa, de quem gosta de ser gostada como avó, se apresentou... isso não impede, em alguns momentos facilita, que com pequenas e afiadas lâminas ela arranque um pequeno pedaço e depois outro, por fim, indique a melhor a forma de lidar com o pouco sangue e resquício do líquido preto esguichado sobre o aparelho!
C
Sexta-feira, Abril 04, 2008... ao pé da janela o sofá vermelho, grande, quase cabe a pessoa inteira, perfeito! o vento mais frio da noite no período de chuva pede a manta... ao pé da janela, do lado de fora, estão as primeiras plantas, as primeiras ervas... boldo, é ele quem guarda a entrada com o gosto que tem cheiro estranho de arrepio, junto com a artemísia, tantas flores estranhas, espinhos e a jurema que simplesmente quis estar ali! mais ao lado: a varanda, ali o cachorro tenta se esconder dos raios que se anunciam, os gatos vêm e se aninham bem junto dele, a porta está aberta, mas eles ficam ali onde podem correr pra longe e onde podem entrar... ao pé da pequena janela lateral está a planta de flores amarelas, ela olha para as irmãs da entrada, ninguém diria que chegariam a tanto, elas se jogam como se quisessem enfeitar e provocar primavera passada... ao pé das outras janelas estão os pés de manjericão, alfavaca, outro tipo de boldo, tomate e moringa, eles acompanham as árvores a distância e protegem os pequenos musgos e insetos constantes, observam as folhas roxas, verdes e amarelas que riem com as primeiras gotas a cair, espinheiro, pau d'arco, samba caitá, transagem, onze horas e a roseira presenteada... ao pé da janela de trás estão as tantas touceiras de capim santo, eles têm a noção exata do tempo que o angico, o cajueiro, a catingueira, a não desejada algaroba, uma outra que não lembro o nome e os tantos matos, levam pra crescer, eles servem de esconderijo pros filhotes dos gatos ainda assustados com a chuva que logo irá aumentar, os filhotes querem ser selvagens: se recusam a gostar da mansidão... ao pé das pequenas janelas laterais estão as ervas cidreiras, floridas, logo mais, quando o dia começar a amanhecer, as abelhas irão se deliciar e zumbir com força, adocicar o mel, é dali onde por vezes nasce o pé de abóbora... lá atrás, a porta está aberta, não deveria, é tarde, mas é bonito a goiabeira dançar... a água cai e o cheiro adentra na casa... terra molhada, ervas... saudade é a vontade de cuidar e estar lá!
C
Sexta-feira, Março 28, 2008"juazeiro, juazeiro, me arresponda por favor...juazeiro velho amigo, onde anda meu amor?"lá adiante, um pouco mais na subida do rio, tem uma estátua grande dum nêgo d'água, dessa vez não vou até lá, estou na cidade pra ponderar, examinar, conversar, organizar e apontar pra onde vai a construção. não faço isso só. faço com os outros que aos poucos revelam os detalhes guardados. lá adiante, depois que atravessa a ponte, está pernambuco, é petrolina! é diferente e às vezes ainda quero arriscar dizer que gosto mais daqui, mas nem posso, não sou daqui e nem sei muito bem como é que está o lugar. olho sempre pela janela dos olhos de alguém, eles sempre dizem. lá adiante, quando lembramos das tantas correntezas passadas e vindouras, sensação de solidão. gente pra cá. gente pra lá. olhar inquieto, mato que some, planta que nasce, estrada que chega, facão na cintura, casaca de couro, cantiga de pássaro agouradeiro, feijão cozido, mulher parida, mandacaru florido, curiosos de terras distantes, chuva abençoada, folha verde, pele marrom, espinho certeiro, cana irrigada, canal com água, gente carregando lata com água, menino desconfiado com metade do olho na janela, flores! "juazeiro, juazeiro, me arresponda por favor...juazeiro velho amigo, onde anda meu amor?"
C
|
|
| ||||||||||||||||||||||||||||